O amor não esmorece nas palavras.
O amor não é cativo das palavras.
O amor é tudo aquilo que tu e eu somos.
E seremos sempre as faces brilhantes do Amor.
7 de dezembro de 2007
O Último Fôlego

Sou dos lugares vazios. Pertenço ao futuro dos bancos frios. Sou do lado da penumbra: Do espaço das sombras que se prolongam e me cobrem os pés. E me escurecem a figura. Sou dos ventos que esvoaçam soltos entre as fachadas desprotegidas. Sou dos lugares centrais que morrem por dentro. Sou das noites ébrias de loucura e das manhãs estanques, aborrecidas. Sou dos lugares sem vida. Sou o rosto triste da despedida.
29 de novembro de 2007
Até Outro Lugar
Hoje encerro o lugar das palavras. Tudo tem um espaço. Tudo tem um tempo. E nada faz sentido sem um olhar cúmplice. Para os que apreciam as palavras e se reveem nos sentimentos a gratidão, que nem as palavras mais calorosas definem.
Numa vida há muitas vidas e na vida das palavras nos reencontraremos.
Jorge Barnabé
Jorge Barnabé
27 de novembro de 2007
Poema do Compromisso
Acabe tudo. Transforme-se tudo. Alterem-se os rumos.
Redefinam-se os sentidos. Tudo pode ser diferente.
Tudo seria diferente. Uma palavra acompanhada de um gesto.
Um pedido determinado na convicção.
Tudo seria diferente se as palavras tivessem outro tom,
se as frases se estendessem noutras formas que não a do papel branco.
Se os ouvidos que nos escutam nos escutassem... com atenção.
Tudo. E querer tranformar tudo não é coragem!
Não é sequer ousadia! É medo... Sim medo!
É um sentimento que nasce no terror de perder o que tanto se deseja.
É um estremecer acentuado a percorrer o âmago.
É uma alma que vacila receosa.
Pode acabar tudo. Podem-se alterar os rumos.
Pode tudo ser diferente que eu resisto sempre que existires!...
21 de novembro de 2007
Por fim o fim
Encalho no tempo de uma vida entre outras vidas.
Gasto o olhar. Abuso das ideias e do pensamento.
Esvazio-me como um copo que depois se vira sobre o tampo da mesa.
Restam umas gotas que escorrem formando pequenos lagos na madeira negra.
Encalho no tempo. Dou por mim no fim das utopias.
Reconheço o cheiro da amargura.
Abdicar é uma opção. Uma opção é escolher.
Encalhado no tempo de uma vida dou espaço ao que me rodeia.
Suspiro no fim de uma lufada de ar...
FIM
Gasto o olhar. Abuso das ideias e do pensamento.
Esvazio-me como um copo que depois se vira sobre o tampo da mesa.
Restam umas gotas que escorrem formando pequenos lagos na madeira negra.
Encalho no tempo. Dou por mim no fim das utopias.
Reconheço o cheiro da amargura.
Abdicar é uma opção. Uma opção é escolher.
Encalhado no tempo de uma vida dou espaço ao que me rodeia.
Suspiro no fim de uma lufada de ar...
FIM
19 de novembro de 2007
Canto do mar
sigo o canto do mar como se me chamasse
vou pelos areais finos onde as aves descansam
detenho-me na espuma como se o ar me faltasse
mergulho na maré onde os peixes balançam
ouço o canto do mar como se o mar cantasse
como se o mar cantasse
vou pelos areais finos onde as aves descansam
detenho-me na espuma como se o ar me faltasse
mergulho na maré onde os peixes balançam
ouço o canto do mar como se o mar cantasse
como se o mar cantasse
Dúvida
Seria necessária outra vida para que tivesse tempo de explicar o que os meus olhos vêem e o meu coração sente.
Às vezes penso: e num poema, conseguirei convencê-la do amor?
Antevisão de um eventual fim
se um dia não disser que te amo
será porque o amor seguiu o rumo das aves
e porque nos teus olhos se apagou a palavra etérea.
se nesse dia te deres conta do que já sabes
é porque a noite encalhou numa enseada junto ao mar
e um crepúsculo se despenhou na terra.
se esse dia chegar
não me procures que a minha vida não resitiu à desesperança
e eu segui o caminho do desespero da tua ignorância.
será porque o amor seguiu o rumo das aves
e porque nos teus olhos se apagou a palavra etérea.
se nesse dia te deres conta do que já sabes
é porque a noite encalhou numa enseada junto ao mar
e um crepúsculo se despenhou na terra.
se esse dia chegar
não me procures que a minha vida não resitiu à desesperança
e eu segui o caminho do desespero da tua ignorância.
Dia
uma rede fina de névoa segura o azul do céu
descobrimos o mar desde a janela do quarto
o teu corpo eleva-se no meu ondulante como o mar alto
arfantes respirações quebram o silêncio do outono junto ao sol
reatamos os beijos e incendiamos os desejos
e nus sobre a cama branca assistimos ao desenrilhar da névoa
surge um novo dia renova-se o amor que nos conduziu até aqui
agora somos felizes
descobrimos o mar desde a janela do quarto
o teu corpo eleva-se no meu ondulante como o mar alto
arfantes respirações quebram o silêncio do outono junto ao sol
reatamos os beijos e incendiamos os desejos
e nus sobre a cama branca assistimos ao desenrilhar da névoa
surge um novo dia renova-se o amor que nos conduziu até aqui
agora somos felizes
Noite
a noite está escura.
uma cor negra e estranha apagou as estrelas do céu.
ao longe ouve-se o mar revolto a quebrar o silêncio na charneca.
o meu corpo estremece num abraço apertado que partilhamos.
beijas-me. beijo-te. beijamo-nos.
sobre nós sobrevoa uma gaivota desorientada no breu nocturno.
damos as mãos. apertamos as mãos.
o teu olhar brilha. brilha e ilumina caminho.
amo-te. amas-me. agora sou feliz
uma cor negra e estranha apagou as estrelas do céu.
ao longe ouve-se o mar revolto a quebrar o silêncio na charneca.
o meu corpo estremece num abraço apertado que partilhamos.
beijas-me. beijo-te. beijamo-nos.
sobre nós sobrevoa uma gaivota desorientada no breu nocturno.
damos as mãos. apertamos as mãos.
o teu olhar brilha. brilha e ilumina caminho.
amo-te. amas-me. agora sou feliz
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