18 de novembro de 2012

PORTUGAL

nem voz,
nem pensamento.
nem parte de nós.
apenas desalento.

6 de novembro de 2012

TEMPO...

Se não houver amanhã, nem madrugadas nem céu adormecido,  tão pouco horas passadas ou perfume de jasmim, é porque o tempo, desiludido, chegou ao fim. Se não existir fôlego, nem fé nem desejo, ou sequer o aroma dos trigais, é porque o tempo de um beijo não volta  mais...

25 de outubro de 2012

DOIS CORPOS

Entre nós
já nada mais existe
nem o espaço entre dois corpos
tão só a longínqua esperança
o desamor que resiste
e muralhas de silêncio
sem mais nada

5 de dezembro de 2011

amanhã regressam as manhãs novas. e incerto ignoro o sentido das palavras. resguardo-me no silêncio. que o silêncio faz parte de mim...

25 de fevereiro de 2011

É hoje o dia

é hoje o dia de todos os dias. quando a vida renasce e celebramos os olhares, comemoramos as memórias
e apontamos o horizonte. é hoje o dia de todos os dias. quando a utopia toma forma e segue o brilho do olhar. o teu olhar. sempre o teu olhar, a guiar a vida que nos rodeia.

18 de fevereiro de 2011

Não

não me peças palavras,
nem de amor nem de esperança.
não exijas o que o corpo já não tem.
não faças de mim o que não sou.
agora os dias são vazios de privamera,
são cinza no chão por onde vou.

não me peças mais,
nem menos que mais,
que os olhares perdi-os todos
e perdi também o teu cheiro.

10 de fevereiro de 2011

Leve

o teu sorriso torna-se leve com o tempo. a voz vai-se perdendo como as madrugadas. e as tuas mãos já não as sinto em meu redor. leves são também as recordações. emudecidas. caladas. arruinadas pelo desamor. e não chega a esperança. insuficiente. frágil. moribunda. desejo recuperar o teu sorriso saltitando novamente no meu olhar. as tuas mãos sobre mim nas noites feitas do luar. as vistas embaciadas pelos nossos fôlegos. as palavras sussuradas com promessas. mas sem mais compromissos. embora leve, o teu sorriso ainda me enebria. e a tua voz desejo-a tanto... mas com alegria.

30 de janeiro de 2011

Outra Planicie

vale a pena um dia inteiro no teu olhar
ouvir palavras pequenas como amor
sentindo-as afiadas a trespassar
o meu corpo a minha alma de toda a dor

fazem sentido o verde dos campos
onde se aninham as esperanças
e os abraços tantos tantos

- onde me enlaças -

29 de janeiro de 2011

POEMA AO DANIEL

No seu rosto nasce o continente mais vasto,
Misterioso e intenso, com todo o esplendor.
As mãos frágeis seguram a esperança
Apertando as palavras criadas do amor.
O corpo leve constrói uma criança
Desejando sonhos e ilusões,
Utopias, fantasias e convenções.
As ruas desenham-se à sua passagem
Com o seu riso ingénuo
E a forma da libertinagem.

Segue agora o caminho dos dias:
O dia depois de hoje e por adiante,
O futuro repleto de alegria
Numa fé inabalável e constante.

(To MZ, by www)

22 de janeiro de 2011

NA CIDADE

na rua os seus olhos brilham como se fossem o sol escondido na neblina. prende o olhar nos detalhes. sorri às pessoas e admira as árvores que agitam os ramos na manhã fria. percorre com entusiasmo a cidade, acenando às casas. provoca os meus risos. aperta-me em abraços e beijos de contentamento. desconhece ainda a realidade. e talvez por isso se deslumbre tanto à medida que seguimos o caminho entre os plátanos. (um dia irei falar-lhe dos plátanos!). e da cidade. quero tanto que a sinta como a sinto. que a adore de paixão. que a ame com loucura. não sei se a escolherá, nem o influenciarei, julgo. desejo apenas que a conheça. que nela construa sonhos e que a tenha como um iman. hoje sei que a quer. por deslumbramento, por curiosidade. e pelo fascinio dos horizontes amplos que a rodeiam.

(O António Maria e Beja)