1 de outubro de 2008

Carta de Outono

Confundo-te com a árvore forte e crescida que se enraizou funda na terra. Penso em ti, todos os dias, como se fosses o infinito prazer da vida que me enlaça e enebria.
Tenho-te no meu corpo a correr nas veias como o sangue impoluto e vermelho. És em cada particula - por mais infíma que seja - o sentido agitado do tempo que me acompanha a vida.
É de ti que falo aos outros quando profiro a palavra Amor. É o teu nome que ecoa no silêncio cavado da utopia, nas atrições que sussurro às estrelas, noite após noite.
Passam os dias e o meu amor por ti renova-se e cresce para ser cada vez maior e mais puro.

19 de setembro de 2008

Poema a Inês

carrega um olhar desesperado
como as manhãs cinzentas
que desesperam pelo olhar alheio
um sorriso descobre-lhe o rosto
onde por fim o seu corpo cresce
um enebriante brilho desenha o futuro
num caminho ornamentado de plátanos
e de aves em voos de esperança

Poema sobre Poema

é na pena de um poema que se revela o meu amor por ti
é na métrica desmedida entre loucas metáforas
que busco a clareza do amor
para que o entendas como entendes os meus olhos
para que numa rima se desfaça qualquer dor
é na forma incoerente de um poema
que firmo a minha vida no teu corpo
como se ser dependesse sempre de ti

Quanto te Amo?

Quanto te amo?

Como se fosse possível medir o ar de uma vida inteira
Ou questionar a existência de um sentimento

Quanto te amo?

Não sei.

Apenas sei que lá cabe todo o amor do mundo
e ainda sobra espaço para te querer ainda mais.

3 de setembro de 2008

Setembro

Setembro. A maré agitada desfaz-se com violência na praia quase deserta. Um sol quente prolonga o verão como se este não fosse ter fim. Partilhamos o silêncio das metáforas interrompido pelos sons do mar e das gaivotas que namoram à beira-mar. Acolhe-nos um areal húmido como os nossos corpos. A água cai em cascata numa rocha atrás do nosso repouso, onde aguardamos a frescura dos sonhos.

Setembro. Ainda não findou o capricho de umas curtas férias.

11 de agosto de 2008

Poema sobre TI

lentamente te dás a conhecer,
como se fosses o sol que nasce na manhã
e nos teus igénuos gestos começo a viver.
Aos poucos alimentas-me a esperança outrora vã
que se vestia num tecido pardo de loucura.
Ao longe vaticino um novo dia a nascer
desenhado pelas tuas mãos de candura.

31 de julho de 2008

Saudades

uma imensidão de saudades percorre-me o corpo
quando fecho os olhos e te imagino na linha do horizonte.
apeteces-me. estendo os braços na utopia de um beijo,
prendo-me na imagem candida do teu sorriso.
na rua uma brisa varre as folhagens densas das árvores
e a serena noite grita o teu nome nos ecos do silencio.
confundo-te com as estrelas. confundo-te com tudo o que me rodeia,
porque te quero nas diferentes formas da natureza.
confundo-te com as madrugadas em que sorriamos nos lábios um do outro
de mãos apertadas como ancoras onde fundeamos o amor.

uma imensidão de saudades percorre-me o corpo
como se um mar inteiro me faltasse.

29 de julho de 2008

É em ti que me sustento

é no teu amor que me sustento
como se fosse mar e tu vento
como se fosses o fino areal
e o meu peso um suspiro lento
é em ti que me abrigo
como se o teu ser fosse uma fortaleza
e o meu o desalento da certeza
e é em ti que me protejo
como se fosses o horizonte
do infinito que desejo

24 de julho de 2008

Cumplicidade

Ergue-se a madrugada conquistando o restolho raso
E no perfume nocturno da paixão os nossos corpos alimentam o amor
Abundam os desejos e as repetidas promessas
Eu sou de ti e tu és de mim e somos eternamente um do outro
Juntos por fim como as estrelas e o céu
Cúmplices na raiz cavada do amor
Palmilhamos a noite até aos primeiros raios da manhã
Naufragados no infinito chão que nos sustenta a vida

14 de julho de 2008

Poema sobre Beja II

Regressei a Beja quando a tarde apertada pelo calor silenciava as ruas. Nas raras sombras das casas brancas fossilizavam palavras gastas de desejo… e no centro dos largos morria a vida de uma cidade, morria no irrespirável sofrimento do abandono. As pedras cinzentas e irregulares da calçada por cansar, os passos perdidos, o som profundo de uma voz censurada, os braços resignados de um fantasma… e a morte conformada. Regressei quando me falaram da desesperança, quando li numa noite azul que as searas se calaram. Regressei porque quis que os meus olhos atestassem o desespero do fim. E aos meus olhos dei-lhes o maior castigo, a pena do desamor.

Percorro as ruas despojadas como se fossem árvores secas, sepultadas na vertical obstinação da utopia… erro ingénuo – o do ser humano – de crer na eternidade das coisas. A utopia das consciências passou à desilusão das ignorantes mentes; e o sonho faleceu na aridez das planícies. E com ele o meu corpo junta-se aos emudecidos chãos de trigo. Regressei a Beja quando os meus olhos tinham no cabo dos sonhos a intenção de uma vida!