19 de janeiro de 2011

intensidade

sinto o teu sabor o sabor da tua madrugada
o teu aroma perfeito
que me enlaça
num beijo longo
um aperto consentido
suspiros extasiados
- por fim os suspiros! -
e os nossos corpos descansando
num abraço nocturno
de uma noite inteira e intensa

16 de janeiro de 2011

Regresso ao teu corpo

regressei à cidade com o crepúsculo a apertar-lhe a silhueta. a estrada de regresso era ladeada de campos orvalhados onde o verde raso dará vida às searas ondulantes. e das searas nascerão sementes e pão. ao entrar na cidade reparei nas primeiras casas, apertadas, encostadas umas às outras, querendo ir até ao céu, timidamente. uma neblina leve descaia como um véu contornando os candeeiros das ruas. segui o caminho de casa. o caminho até ti. vi nos campos um horizonte de utopias. senti no aroma humido da terra o desejo de te ter. quero enebriar-me no teu corpo. percorre-lo demoradamente. insistentemente. quero tanto. desfalecer de cansaço sobre ti. e regressar ao teu corpo quando a manhã desenhar outro dia.

6 de janeiro de 2011

Destino

um destes dias voltaremos à terra.
cavaremos funda a terra
com desejo de pão.
voltaremos num dia sem esperança
quando as noites nos apertarem
e as manhãs nos desassossegarem.
regressaremos sem que a terra nos chame,
sem que a terra nos condene.
seremos de novo filhos do vento
e do chão fértil, chão do destino traçado.
voltaremos sem que a terra nos reclame!

3 de janeiro de 2011

Um Olhar

respiro fundo junto ao teu olhar
como se nele me confortasse
e o tempo parasse
sem receio de parar
e em ti tudo recomeçasse
um olhar é um olhar
mas não o teu
que tem jeito de desejar
e brilho para encantar
um desejo meu

27 de dezembro de 2010

Fingir

Não aguardemos mais pelo dia que tarda a realizar o nosso encontro. Ignoremos as palavras que acentuam o silêncio. Procuremos num e noutro o esplendor da poesia. Façamos de conta, fingindo, que ainda nos queremos um ao outro e que acreditamos nos compromissos. Façamos do tempo a nossa casa: ampla e sossegada, contornada de flores e de aromas. Vamos fingir que somos felizes, que nos damos um ao outro como as árvores se dão no chão fértil. Será tão fácil fantasiar que os nossos corpos se atraem: o meu peito nos teus seios, as tuas mãos apertando-me, os lábios a consumirem-se com paixão. E beijemo-nos. Que nos beijos tudo recomeçará.  

24 de dezembro de 2010

Amanhã (Vaticinando)

seremos outra vez ar e terra, de novo água e fogo. voltaremos à esperança como quem regressa a casa depois do desacerto dos dias sem graça. começaremos um novo dia com os olhares de sempre, reencontraremos os sorrisos e as mãos que nos prolongam. ficaremos em silencio a olhar o crepúsculo que cai sobre o mar. e cantaremos sob a copa da árvore que nos guarda as promessas.

20 de dezembro de 2010

Dia de todos os Dias

há dias e dias. dias melhores e piores. dias muito bons, extasiados. dias menos bons, perturbadores. e há os dias como o de hoje, em que fico sem palavras. sem reacção. sem forma. sem conteúdo. talvez amanhã nasça outro dia. pelo menos diferente.

18 de dezembro de 2010

JUÍZO

julgavamo-nos do tamanho do mundo ocupando todos os lugares, mesmo aqueles que os homens comuns não ocupam, julgavamo-nos desconhecendo que não somos nada que somos apenas ridiculos na pretensão de nos julgarmos mais do que o tempo nos concede.

17 de dezembro de 2010

recupero o fôlego só por saber que ainda aí estás... embora o silêncio, o mundo não tem outro sentido.

11 de dezembro de 2010

Pelo Contrário

No caminho de casa uma estrada a direito ladeada de plátanos com folhagem dourada guia-nos no silêncio do amor.

porque o amor também tem silêncio e nem sempre as palavras alimentam a paixão. pelo contrário... 

por vezes as palavras têm o tom da dor, são ditas com mágoa.