o teu sorriso torna-se leve com o tempo. a voz vai-se perdendo como as madrugadas. e as tuas mãos já não as sinto em meu redor. leves são também as recordações. emudecidas. caladas. arruinadas pelo desamor. e não chega a esperança. insuficiente. frágil. moribunda. desejo recuperar o teu sorriso saltitando novamente no meu olhar. as tuas mãos sobre mim nas noites feitas do luar. as vistas embaciadas pelos nossos fôlegos. as palavras sussuradas com promessas. mas sem mais compromissos. embora leve, o teu sorriso ainda me enebria. e a tua voz desejo-a tanto... mas com alegria.
10 de fevereiro de 2011
30 de janeiro de 2011
Outra Planicie
vale a pena um dia inteiro no teu olhar
ouvir palavras pequenas como amor
sentindo-as afiadas a trespassar
o meu corpo a minha alma de toda a dor
fazem sentido o verde dos campos
onde se aninham as esperanças
e os abraços tantos tantos
- onde me enlaças -
ouvir palavras pequenas como amor
sentindo-as afiadas a trespassar
o meu corpo a minha alma de toda a dor
fazem sentido o verde dos campos
onde se aninham as esperanças
e os abraços tantos tantos
- onde me enlaças -
29 de janeiro de 2011
POEMA AO DANIEL
No seu rosto nasce o continente mais vasto,
Misterioso e intenso, com todo o esplendor.
As mãos frágeis seguram a esperança
Apertando as palavras criadas do amor.
O corpo leve constrói uma criança
Desejando sonhos e ilusões,
Utopias, fantasias e convenções.
As ruas desenham-se à sua passagem
Com o seu riso ingénuo
E a forma da libertinagem.
Segue agora o caminho dos dias:
O dia depois de hoje e por adiante,
O futuro repleto de alegria
Numa fé inabalável e constante.
(To MZ, by www)
22 de janeiro de 2011
NA CIDADE
na rua os seus olhos brilham como se fossem o sol escondido na neblina. prende o olhar nos detalhes. sorri às pessoas e admira as árvores que agitam os ramos na manhã fria. percorre com entusiasmo a cidade, acenando às casas. provoca os meus risos. aperta-me em abraços e beijos de contentamento. desconhece ainda a realidade. e talvez por isso se deslumbre tanto à medida que seguimos o caminho entre os plátanos. (um dia irei falar-lhe dos plátanos!). e da cidade. quero tanto que a sinta como a sinto. que a adore de paixão. que a ame com loucura. não sei se a escolherá, nem o influenciarei, julgo. desejo apenas que a conheça. que nela construa sonhos e que a tenha como um iman. hoje sei que a quer. por deslumbramento, por curiosidade. e pelo fascinio dos horizontes amplos que a rodeiam.
(O António Maria e Beja)
(O António Maria e Beja)
19 de janeiro de 2011
intensidade
sinto o teu sabor o sabor da tua madrugada
o teu aroma perfeito
que me enlaça
num beijo longo
um aperto consentido
suspiros extasiados
- por fim os suspiros! -
e os nossos corpos descansando
num abraço nocturno
de uma noite inteira e intensa
o teu aroma perfeito
que me enlaça
num beijo longo
um aperto consentido
suspiros extasiados
- por fim os suspiros! -
e os nossos corpos descansando
num abraço nocturno
de uma noite inteira e intensa
16 de janeiro de 2011
Regresso ao teu corpo
regressei à cidade com o crepúsculo a apertar-lhe a silhueta. a estrada de regresso era ladeada de campos orvalhados onde o verde raso dará vida às searas ondulantes. e das searas nascerão sementes e pão. ao entrar na cidade reparei nas primeiras casas, apertadas, encostadas umas às outras, querendo ir até ao céu, timidamente. uma neblina leve descaia como um véu contornando os candeeiros das ruas. segui o caminho de casa. o caminho até ti. vi nos campos um horizonte de utopias. senti no aroma humido da terra o desejo de te ter. quero enebriar-me no teu corpo. percorre-lo demoradamente. insistentemente. quero tanto. desfalecer de cansaço sobre ti. e regressar ao teu corpo quando a manhã desenhar outro dia.
6 de janeiro de 2011
Destino
um destes dias voltaremos à terra.
cavaremos funda a terra
com desejo de pão.
voltaremos num dia sem esperança
quando as noites nos apertarem
e as manhãs nos desassossegarem.
regressaremos sem que a terra nos chame,
sem que a terra nos condene.
seremos de novo filhos do vento
e do chão fértil, chão do destino traçado.
voltaremos sem que a terra nos reclame!
cavaremos funda a terra
com desejo de pão.
voltaremos num dia sem esperança
quando as noites nos apertarem
e as manhãs nos desassossegarem.
regressaremos sem que a terra nos chame,
sem que a terra nos condene.
seremos de novo filhos do vento
e do chão fértil, chão do destino traçado.
voltaremos sem que a terra nos reclame!
3 de janeiro de 2011
Um Olhar
respiro fundo junto ao teu olhar
como se nele me confortasse
e o tempo parasse
sem receio de parar
e em ti tudo recomeçasse
um olhar é um olhar
mas não o teu
que tem jeito de desejar
e brilho para encantar
um desejo meu
como se nele me confortasse
e o tempo parasse
sem receio de parar
e em ti tudo recomeçasse
um olhar é um olhar
mas não o teu
que tem jeito de desejar
e brilho para encantar
um desejo meu
27 de dezembro de 2010
Fingir
Não aguardemos mais pelo dia que tarda a realizar o nosso encontro. Ignoremos as palavras que acentuam o silêncio. Procuremos num e noutro o esplendor da poesia. Façamos de conta, fingindo, que ainda nos queremos um ao outro e que acreditamos nos compromissos. Façamos do tempo a nossa casa: ampla e sossegada, contornada de flores e de aromas. Vamos fingir que somos felizes, que nos damos um ao outro como as árvores se dão no chão fértil. Será tão fácil fantasiar que os nossos corpos se atraem: o meu peito nos teus seios, as tuas mãos apertando-me, os lábios a consumirem-se com paixão. E beijemo-nos. Que nos beijos tudo recomeçará.
24 de dezembro de 2010
Amanhã (Vaticinando)
seremos outra vez ar e terra, de novo água e fogo. voltaremos à esperança como quem regressa a casa depois do desacerto dos dias sem graça. começaremos um novo dia com os olhares de sempre, reencontraremos os sorrisos e as mãos que nos prolongam. ficaremos em silencio a olhar o crepúsculo que cai sobre o mar. e cantaremos sob a copa da árvore que nos guarda as promessas.
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